Álcool: a destruição líquida e certa da vida

Ele está presente nos barracos de madeira cobertos por telhas de zinco e nos palácios de mármore, deixando, por toda parte, um rastro de destruição, loucura e morte. No Brasil, as estatísticas assustam.

O consumo de bebidas alcoólicas em excesso provoca alarmantes índices de homicídios, ocorrências policiais, internações hospitalares e acidentes fatais no trânsito, sem contar outros efeitos colaterais, como a desagregação da família. Mas o pior é que o álcool está detonando precocemente a vida de crianças e adolescentes. A doença foi identificada como alcoolismo e, como tal, catalogada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sob o Código Internacional de Doenças (CID) F-9.

Numa amostra realizada há dez anos no Distrito Federal, entre 1.441 estudantes de primeiro e segundo graus da rede privada, constatou-se que as prevalências do uso de substâncias psicoativas (incluindo desde a experimentação até o uso diário) mostraram taxas de 67,2% para o álcool, 28,7% para o fumo, 13,9% para os inalantes, 6,1% para a maconha e 1,8% para a cocaína. O consumo da maioria das drogas se mostrou crescente com a idade.

Ediline Maria da Silva, conselheira em dependência química que atua há 15 anos na área, os jovens, e muitas vezes as crianças, experimentam sua primeira dose incentivados pelos próprios pais. “A principal porta de entrada do álcool está na família, que não tem conhecimento do poder da doença do alcoolismo.

É uma droga lícita que encontramos em qualquer supermercado 24 horas e que é ‘aplaudida’ quando um jovem a experimenta e sabe bebê-la”, afirma a presidente do Centro de Integração, comunidade que há seis anos trata de pessoas alcoólicas. Não existe cura para o alcoolismo, o que existe é tratamento, confirmam os profissionais de saúde.

O alcoólico não consegue perceber o quanto está envolvido com a bebida, tendendo a negar o uso ou mesmo sua dependência. Nestes casos, pode-se começar o tratamento ajudando o paciente a reconhecer seu problema e a necessidade de se tratar e de tentar se abster do álcool.

De acordo com integrantes de Alcoólicos Anônimos, o alcoolismo não tem cura, mas pode ser detido quando o “bebedor problema” tem o sincero desejo de parar de beber. Para ser um A.A. não se paga taxas ou mensalidades.x

De acordo com integrantes de Alcoólicos Anônimos, o alcoolismo não tem cura, mas pode ser detido quando o “bebedor problema” tem o sincero desejo de parar de beber. Para ser um A.A. não se paga taxas ou mensalidades. “A irmandade não está ligada a nenhuma seita ou religião, nenhum movimento político, organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas”, diz o preâmbulo de A.A.

“Era completamente insano e me sentia incapaz de ficar sem beber. Esperava o bar abrir. Com o tempo a minha vida se tornou um inferno, perdia o controle, tinha amnésia alcoólica. Foi quando entrei pela porta da irmandade e minha vida começou a mudar. Descobri que era portador de uma doença física, mental, espirital… das emoções, do sentimento. O que importa para o A.A. é um dia de cada vez. Evitamos o primeiro gole por 24 horas”, disse J.P.M., 52 anos, com quatro e meio de sobriedade.

Fatores genéticos

O alcoolismo tende a ocorrer com mais frequência em certas famílias, entre gêmeos idênticos (univitelinos) e mesmo em filhos biológicos de pais alcoólicos adotados por famílias de pessoas que não bebem.

Estudos mostram que adolescentes abstêmios, filhos de pais alcoólicos, têm mais resistência aos efeitos do álcool do que jovens da mesma idade, cujos pais não abusam da droga.

Muitos desses filhos de alcoólicos se recusam a beber para não seguir o exemplo de casa. Quando acompanhados por vários anos, porém, esses adolescentes apresentam maior probabilidade de abandonar a abstinência e tornarem-se dependentes.

Filhos biológicos de pais alcoólicos criados por famílias adotivas têm mais dificuldade de abandonar a bebida do que alcoólicos que não têm história familiar de abuso da droga.

Tratamento

Geralmente realizada por alguns dias sob supervisão médica, permite combater os efeitos agudos da retirada do álcool. Dados os altíssimos índices de recaídas, no entanto, o alcoolismo não é doença a ser tratada exclusivamente no âmbito da medicina convencional. Jornal Coletivo

Fonte: Marcelo Sirkis

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