Consumo abusivo de vodca preocupa a Rússia

País tem 6 milhões de alcoólatras, segundo departamento de doenças derivadas do vício. Rússia consome três vezes mais vodca: 80 litros por pessoa por ano.

O alto consumo de vodca na Rússia preocupava os czares dos tempos imperiais, preocupava os comunistas do império soviético, e preocupa agora também as autoridades do atual regime.

O país consome três vezes mais vodca do que o resto do mundo.

São 80 litros por pessoa por ano, um verdadeiro porre federal que já dura mais de meio milênio. Esse índice vem provocando ressaca nas estatísticas do governo.

Viciados

No ministério da Rússia, a diretora do departamento de doenças derivadas do vício responsabiliza a vodca pelos altos índices de alcoolismo: são seis milhões de viciados. Mas segundo as associações de alcoólicos anônimos, pelo menos 20 milhões de russos – ou seja, cerca de 14% da população – consomem vodca todos os dias e em doses exageradas.

O consumo de vodca está alterando até índices na região e mudando, por exemplo, a expectativa de vida no país. Enquanto no Brasil a expectativa média de vida das últimas duas décadas subiu de 62,3 para 71,7 anos entre os homens, na Rússia aconteceu o contrário. Os russos vivem menos. A expectativa média de vida entre os homens baixou de 64 para 59 anos.

Mas há ainda outros números alarmantes: de cada 10 mortes, quatro são causadas pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas.

Filhos do vício

Entre as mulheres as estatísticas não são precisas. Mas o que se vê no país não depende de números. Um centro de tratamento do ministério de Saúde da Rússia cuida só de crianças que sofrem da chamada “síndrome da inconsciência alcoólica”. São os filhos do vício. Meninos e meninas com paralisia cerebral, cegueira, deficiência auditiva e de locomoção, cujas mães, segundo os médicos, tomaram vodca durante a gravidez.

A vodca é bebida garantida em qualquer evento, na alegria e na tristeza, ela aparece em casamentos e em funerais.

Se depender da criatividade do mercado o consumo não vai diminuir. Uma fábrica acaba de lançar uma versão para mulheres, com líquido violeta e enfeites nas garrafas.

Vodca caseira

Quem não pode comprar o produto engarrafado faz em casa mesmo. As fábricas domésticas costumam ser um atentado à higiene. E o grau de alcoolismo, que não passa de 40% no produto industrializado, chega a 75% na vodca caseira. É quase um veneno.

Numa tentativa de reprimir o consumo em 1989, o então presidente Mikhail Gorbachev elevou os impostos da bebida. Mas a estratégia só durou até a posse de Boris Yeltsin, um consumidor incurável de bebida alcoólica. Durante seus dois mandatos, nos anos 90, Yeltsin vivia fazendo shows embalados por vodca.

Fonte: G1 | Globo

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