Jovens não relacionam cerveja ao álcool

Basta chegar a sexta-feira de um dia quente para que os bares de todo o país fiquem repletos de adolescentes que, entre um papo e outro, bebem cerveja.

Mesmo assim, a maior parte dos jovens não associa a cerveja ao álcool. Foi o que comprovou a pesquisa de Nadir Ferreira Boa Sorte, professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), para obtenção do título de mestre.

O trabalho – “O imaginário do adolescente sobre o consumo de álcool e o processo de construção da identidade: implicações na educação e prevenção” -, concluiu que o jovem possui uma imagem ingênua da cerveja, vendo-a como diferente das demais bebidas alcoólicas.

Poucos sabem que bebida preferida contem 5% teor alcoólico e bastam seis copos para que uma pessoa apresente dificuldades de coordenação motora e reflexos.

“O jovem chega a apontar aspectos positivos. Dizem que a cerveja é fraca, que ela é mais apropriada para o jovem e que no calor o que combina mesmo é a cerveja, entre outros”, contou Nadir.

Frente à pergunta “Você acha que a cerveja é igual às outras bebidas alcoólicas?”, 34% dos jovens disseram que não, e destes, 90% apontaram esses aspectos “positivos” para justificar a diferença.

Segundo a professora, eles acreditam que os fatores internos têm maior influência do que os externos na constituição e manutenção do comportamento de beber.

“Os amigos e a família, sempre apontados, na literatura, como as maiores influências no consumo de substâncias psicoativas em geral, foram inocentados pela maioria destes adolescentes, que chamam para si a responsabilidade”, afirmou a professora da Uneb.

Para a professora, ao negar a variável externa, o jovem chama para si a responsabilidade de seus atos em uma tentativa de obter o reconhecimento social da ascensão ao estatuto de adulto.

Uma curiosidade da pesquisa: a palavra “álcool” só aparece uma vez e a palavra “droga” duas vezes entre as 1517 palavras dos questionários.

“Isso talvez ocorra porque a palavra droga é um signo ideológico e, como tal, já possui uma riqueza significativa deformada pela cultura, utilizada com novas intenções, isto é, não mais com seu sentido científico, mas com uma grande carga negativa”, concluiu.

Fonte: Raquel Souza – Site Aprendiz – Gilberto Dimenstein

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